O síndico profissional veio para ficar e trouxe na bagagem uma nova forma de gestão

Sueli Azevedo

Administrar um condomínio exige muito de uma pessoa, principalmente com a correria do dia a dia. Por isso, ser síndico é uma função que muitos evitam exercer. Resolver problemas de infraestrutura, ter que chamar a atenção de vizinhos, apartar brigas… Por isso, o síndico profissional parece que veio mesmo pra ficar. Ele é aquele que ocupa a função de conduzir o condomínio, mas sem precisar morar no mesmo e com contrato de trabalho onde estão especificados de forma clara, suas funções, horas trabalhadas e remuneração. Esta profissão esta crescendo cada vez mais no mercado, pois os condôminos ficam livres da chateação e contratam um profissional amplamente qualificado.

A profissão de síndico está em alta no país

A profissão de síndico está em alta no país

O profissional é eleito por uma assembleia geral, assim como um condômino e atua durante dois anos podendo ser reeleito. Quanto à formação, o ideal é que o síndico profissional tenha conhecimentos nas áreas de administração de empresa, contabilidade, recursos humanos, direito e comunicação, sendo esta última importante, pois é a base de seu relacionamento com os moradores. Existem várias entidades como o SINDICON (Sindicato dos Condomínios Comerciais, Residenciais e Mistos de Belo Horizonte e Região Metropolitana) e o SÍNDICONET que oferecem os cursos para formação de síndico profissional. Todos os direitos e deveres cabíveis ao profissional estão registrados no código civil Lei nº 4.591, artigo 22, que trata da administração do condomínio.

O comando dos condomínios está se tornando complicado e já é comparado com a gerência de uma empresa de pequeno porte. Pensando em todas as dificuldades, Marília Amaral, empresária, decidiu junto aos condôminos de seu prédio contratar um profissional especializado para a função de síndico. “Percebemos uma indisponibilidade de todos para ocupar o cargo, todos recusaram; então, contratamos um síndico profissional ótimo, que administra o nosso condomínio de forma bastante organizada e satisfatória para todos os moradores”, conta a empresária.

O síndico profissional Antônio José Pinheiro Muniz é formado em administração e atua na área de condomínios há 20 anos. Antônio relata que apesar de serem autônomos, os síndicos profissionais exercem todas as funções de acordo com o código civil de leis do condomínio.

— O profissional tem que saber das leis e do regulamento e ainda lidar bem com as pessoas. Por não termos vínculo empregatício, a responsabilidade é maior, somos mais cobrados.

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O síndico profissional Antônio Muniz atua na área há 20 anos

O administrador diz que a primeira função em um condomínio é zelar pelo patrimônio, prestar contas com frequência, principalmente se o mesmo tem a receita alta. Atualmente, ele administra três condomínios e, em um deles, já está à frente há sete anos. Hoje, o mesmo está com valor de mercado três vezes maior do que valia antes. “Prédio bem cuidado agrega valor de mercado, exige muita dedicação. Quando tem alguma reclamação entre vizinhos, a mesma tem que ser feita por escrito, não aceito de outra forma, lugar de pessoas que não sabem conviver entre si é na delegacia: apartar bagunça não é função do síndico”, conta Antônio.

Rodrigo Bragança é síndico profissional há 12 anos. Formado em publicidade, já sabia desde o início que iria exercer a função que ocupa atualmente. “Direciono a minha formação para o que faço hoje — comunicação ainda é um dos grandes vilões da vida”, dispara Rodrigo, que trabalha como pessoa jurídica e tem ajuda de terceiros para administrar os 26 condomínios e mais o shopping 5ª Avenida, em Belo Horizonte. “Temos a parceria com o corpo de bombeiros e eletricistas que auxiliam na manutenção dos prédios”, descreve o síndico. Qual o segredo desse sucesso: “Paciência é a palavra chave para conseguir administrar tantos condomínios, já que as confusões podem surgir sempre com mais frequência”.

Curiosamente, nem todos os profissionais são síndicos dos prédios onde moram. Carlos Eduardo Alves de Queiroz é síndico e presidente do SINDICON e diz que não mora no prédio. “Hoje tem diversos prédios com esta situação. Síndico profissional tem em diversos tipos e com perfil diverso”, teoriza. “A remuneração, em Belo Horizonte, gira em torno de dois a quatro salários mínimos, mas em São Paulo, o profissional pode chegar a ganhar salário de executivo”, conta Elvira Maria, advogada aposentada e síndica de dois edifícios na região da Cidade Nova. Por isso, os síndicos profissionais querem fiscalizar melhor o trabalho dos novos colegas, a fim de que isso não interfira em sua valorização profissional. É que, em áreas nobres de Belo Horizonte, alguns também já recebem salário de executivo.

Fonte: emorar.com.br